O que é Glaucoma?

Dr. Marcelo Jordão L. Silva

GLAUCOMA: CONCEITOS, CLASSIFICAÇÃO E MANEJO 

O que é glaucoma? 

O glaucoma é uma neuropatia óptica progressiva caracterizada por dano estrutural do nervo óptico e perda funcional correspondente do campo visual.  

Está frequentemente, mas não exclusivamente, associado à elevação da pressão intraocular (PIO). 

Fisiopatologia 

O nervo óptico é composto por fibras nervosas que transmitem os estímulos visuais da retina ao cérebro. 

O humor aquoso é continuamente produzido e drenado pelo sistema trabecular. Alterações nesse equilíbrio podem levar ao aumento da PIO, contribuindo para dano axonal progressivo. 

Importante:
O glaucoma é uma doença multifatorial, envolvendo: 

  • Fatores mecânicos (PIO)  
  • Fatores vasculares  
  • Suscetibilidade individual do nervo óptico  

 

Classificação 

 

  1. Glaucoma primário de ângulo aberto (GPAA)
  • Forma mais comum  
  • Drenagem trabecular reduzida  
  • Curso crônico e assintomático  

 

Características: 

 

  • Perda progressiva do campo visual  
  • Escavação do nervo óptico  
  • Diagnóstico frequentemente tardio  
  1. Glaucoma de pressão normal (GPN)
  • Dano glaucomatoso com PIO dentro da faixa estatisticamente normal  
  • Associado a fatores vasculares  

 

➡️ Tratamento semelhante ao GPAA (redução da PIO) 

 

  1. Glaucoma de ângulo fechado (GAF)
  • Obstrução do ângulo iridocorneano  
  • Elevação rápida da PIO  

 

Crise aguda: emergência oftalmológica 

Sintomas: 

 

  • Dor ocular intensa  
  • Hiperemia  
  • Visão borrada  
  • Halos coloridos  
  • Cefaleia  
  • Náuseas e vômitos  

 

  1. Glaucoma congênito

 

  • Raro  
  • Associado a alterações do desenvolvimento do sistema de drenagem  
  • Pode levar à cegueira se não tratado precocemente  

 

  1. Glaucoma secundário

 

Decorrente de outras condições: 

  • Uso de corticosteroides  
  • Trauma ocular  
  • Uveítes  
  • Neovascularização  
  • Tumores  

 

Hipertensão ocular 

 

  • PIO elevada sem dano estrutural ou funcional  
  • Fator de risco para glaucoma  
  • Necessita acompanhamento  

 

Fatores de risco 

 

  • Idade avançada  
  • História familiar  
  • PIO elevada  
  • Miopia (ângulo aberto)  
  • Hipermetropia (ângulo fechado)  
  • Doenças vasculares  

 

Sintomas 

 

Glaucoma crônico (mais comum) 

 

  • Assintomático nas fases iniciais  
  • Perda progressiva da visão periférica  

 

Glaucoma agudo 

 

  • Sintomático e abrupto (emergência)  

 

Diagnóstico (abordagem moderna) 

 

Baseia-se em três pilares: 

 

  1. Estrutural

 

  • Avaliação do nervo óptico  
  • OCT de camada de fibras nervosas (CFN) / GCIPL  

 

  1. Funcional

 

  • Campo visual computadorizado  

 

  1. Pressórico

 

  • Tonometria  

 

➡️ Nenhum parâmetro isolado define o diagnóstico 

 

Tratamento 

Objetivo: 

 

Reduzir a PIO para um nível seguro (pressão-alvo) individualizado. 

 

  1. Tratamento clínico

 

  • Colírios hipotensores  
  • Prostaglandinas  
  • Betabloqueadores  
  • Inibidores da anidrase carbônica  
  • Alfa-agonistas  

 

  1. Tratamento a laser

 

  • SLT (trabeculoplastia seletiva)  
  • Pode ser primeira linha (evidência atual – LiGHT trial)  

 

  1. Tratamento cirúrgico

 

Indicado quando: 

 

  • Falha do tratamento clínico/laser  
  • Progressão da doença  

 

Opções: 

 

  • Trabeculectomia  
  • Implantes de drenagem (ex.: válvula de Ahmed)  
  • MIGS (casos selecionados)  

 

Prognóstico 

 

  • Doença crônica e progressiva  
  • Pode levar à cegueira irreversível  
  • Diagnóstico precoce é fundamental  

 

Pontos-chave (visão de especialista) 

 

  • PIO é o único fator modificável  
  • Nem todo glaucoma tem PIO elevada  
  • Progressão deve ser avaliada estrutural + funcionalmente  
  • Tratamento é individualizado  

 

Conclusão 

O glaucoma é uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo. O diagnóstico precoce, o acompanhamento rigoroso e a abordagem terapêutica individualizada são fundamentais para preservar a visão ao longo da vida. 

Aviso importante 

As informações aqui apresentadas têm caráter educativo e não substituem a avaliação médica. Em caso de dúvidas ou sintomas, procure um oftalmologista. 

 

 

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