Retinopatia Diabética

Dr. Marcelo Jordão L. Silva

RETINOPATIA DIABÉTICA
O que é?

A retinopatia diabética é uma complicação do diabetes mellitus que afeta os
vasos sanguíneos da retina, estrutura localizada no fundo do olho responsável
pela captação da luz e formação das imagens.

O diabetes ocorre quando há deficiência na produção ou na ação da insulina,
hormônio responsável pelo controle dos níveis de glicose no sangue. Quando a
glicemia permanece elevada por períodos prolongados, ocorre dano
progressivo aos pequenos vasos sanguíneos, inclusive os da retina.

Como a doença se desenvolve?
O excesso de glicose no sangue leva a alterações na parede dos vasos da
retina, tornando-os frágeis e permeáveis. Com isso, podem ocorrer:

 Microaneurismas (pequenas dilatações dos vasos)
 Extravasamento de líquido e gordura
 Hemorragias
 Isquemia (falta de oxigenação da retina)
 Formação de novos vasos anormais (neovascularização)

Essas alterações caracterizam os diferentes estágios da retinopatia diabética,
que podem evoluir de formas leves até quadros graves com risco de perda
visual permanente.

Sintomas
Um dos principais desafios da retinopatia diabética é que, nas fases iniciais, a
doença pode não causar sintomas.
Quando presentes, os sintomas podem incluir:

 Visão embaçada
 Manchas escuras ou “moscas volantes”
 Dificuldade para enxergar à noite
 Perda visual progressiva
 Perda súbita da visão (em casos mais avançados)

Quem está em risco?
Todos os pacientes com diabetes estão em risco de desenvolver retinopatia
diabética, especialmente:

 Pacientes com longo tempo de doença
 Indivíduos com controle glicêmico inadequado
 Portadores de hipertensão arterial
 Pacientes com colesterol elevado
 Gestantes com diabetes

Diagnóstico
O diagnóstico é realizado por um oftalmologista através de exame ocular
completo, incluindo:

 Avaliação da acuidade visual
 Exame de fundo de olho com dilatação da pupila
 Retinografia (documentação fotográfica da retina)
 Angiografia fluoresceínica (quando necessário)
 Tomografia de coerência óptica (OCT), especialmente para avaliar
edema macular

O diagnóstico precoce é fundamental, pois permite identificar alterações antes
do surgimento dos sintomas.

Classificação
A retinopatia diabética pode ser classificada em:

Retinopatia diabética não proliferativa (RDNP)
 Fase inicial
 Presença de microaneurismas, hemorragias e exsudatos
 Pode evoluir para formas mais graves
Retinopatia diabética proliferativa (RDP)
 Fase avançada
 Formação de vasos sanguíneos anormais
 Alto risco de hemorragia vítrea e descolamento de retina
Tratamento

O tratamento depende do estágio da doença e inclui:
1. Controle clínico
 Controle rigoroso da glicemia
 Controle da pressão arterial
 Controle do colesterol

2. Tratamento ocular
 Fotocoagulação a laser (para estabilizar a doença)
 Injeções intraoculares (anti-VEGF ou corticosteroides)
 Vitrectomia (cirurgia indicada em casos avançados)
Prevenção

A prevenção é a estratégia mais eficaz para evitar a perda visual.
Medidas fundamentais incluem:

 Manter o diabetes bem controlado
 Realizar exames oftalmológicos regularmente
 Controlar fatores associados (pressão arterial e colesterol)
 Adotar hábitos de vida saudáveis

Acompanhamento
Pacientes com diabetes devem realizar avaliação oftalmológica:
 Pelo menos uma vez ao ano
 Com maior frequência, se houver alterações detectadas
É importante destacar que a ausência de sintomas não exclui a presença da
doença.

Mensagem final
A retinopatia diabética é uma das principais causas de cegueira evitável no
mundo. No entanto, com diagnóstico precoce e tratamento adequado, a grande
maioria dos casos pode ser controlada, preservando a visão.

Aviso importante
As informações aqui apresentadas têm caráter educativo e não
substituem a avaliação médica. Em caso de dúvidas ou sintomas, procure
um oftalmologista.

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